A Prefeitura de São José do Rio Preto conta com mais uma ferramenta no combate à violência contra a mulher. A Empro Tecnologia e Informação (Empresa Municipal de Processamento de Dados) está desenvolvendo, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), um mapeamento dos índices de violência contra a mulher no município, baseado em dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, por meio do Infocrim (Sistema de Informações Criminais).
O sistema reúne e organiza informações de boletins de ocorrência para identificar padrões, horários e regiões com maior incidência de crimes. Com tecnologia na gestão da informação, o sistema passa a se integrar às demais políticas públicas municipais, ampliando o enfrentamento nesta área de forma intersetorial.
Raio X da situação
Em 2025, foram registrados 2.759 registros de violência doméstica no município, o que representa uma média de oito casos por dia. Na maioria das ocorrências, a violência ocorre dentro da residência das vítimas, principalmente aos fins de semana e no período noturno.
De acordo com o presidente da Empro, Marco Antônio da Silva Rodrigues, o sistema está sendo desenvolvido em conjunto com a Escola de Segurança Multidimensional da USP e funciona por meio de um painel de controle (dashboard) com uma interface visual interativa que reúne dados, imagens, gráficos, permitindo a visualização, cruzamento e análise dos dados de forma dinâmica.
“O projeto surgiu a partir de uma parceria com o professor Leandro Piquet, pesquisador da dinâmica dos crimes urbanos e diretor da Escola de Segurança Multidimensional da USP. A ideia é transformar os dados brutos em informações capazes de orientar políticas públicas mais eficazes”, explica Rodrigues.
“A ferramenta de inteligência já está em funcionamento e sendo aperfeiçoada, oferecendo potencial como uma importante tecnologia no monitoramento de dados. Essas informações visam nortear a implantação de programas municipais visando à prevenção do crime e redução da violência, baseados nos dados criminais registrados neste sistema”, destaca Rodrigues.

Geografia dos casos
De acordo com o levantamento de 2025, 25,1% das ocorrências foram registradas à noite. A tarde aparece em seguida, com 17,9%, enquanto a manhã concentrou 14,2% dos casos. A madrugada respondeu por 9,4% das notificações. Em 33,5% dos boletins, não havia informação sobre o horário do fato. Na distribuição territorial, a zona rural lidera o número de registros, com 20,8% das ocorrências.
Os dados analisados compreendem boletins registrados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025 e reforçam a necessidade de políticas públicas direcionadas tanto aos horários de maior incidência quanto às regiões mais afetadas.
Inovação traz avanço
A secretária municipal da Mulher, Pessoa com Deficiência e Igualdade Racial de São José do Rio Preto, Rosicler Quartieri, avalia o programa como um avanço importante no enfrentamento da violência contra a mulher e um caminho para integração de políticas públicas.
“Esse sistema vai impactar de forma significativa o trabalho da Secretaria, porque teremos acesso a esse mapeamento dos casos de violência por região, vamos identificar em cada região qual é o tipo, a incidência de determinados tipos de violência. Nós estamos identificando esses padrões e, a partir daí, é possível fazer o maior planejamento das políticas públicas que serão desenvolvidas, as ações feitas naqueles locais”, explica Rosicler sobre os ganhos nas políticas públicas.
A gestora pública avalia que, em termos de direcionamento de recursos, determinadas regiões vão precisar de policiamento maior, de uma atenção maior à saúde, de assistência social e uma das questões mais importantes, a prevenção. “Os dados georreferenciados vão proporcionar que as ações da equipe técnica da Secretaria sejam mais assertivas no que se refere ao combate da violência contra mulher. Quando se fala em política pública efetiva é onde, como, quando e por que determinadas ações são necessárias e a partir daí lutar por questões importantes, como a questão orçamentária, ampliação, a necessidade disso e onde serão aplicados determinados recursos com precisão e lisura”, completa a secretária.
Políticas públicas
Rosicler ainda afirma que, em 2026, as ações de prevenção serão ainda mais amplas. O carro-chefe da Secretaria da Mulher continuará sendo a questão da prevenção em escolas, contribuindo para desnaturalizar violências que são vivenciadas e reproduzidas nestes ambientes, e que na verdade, vem de casa.”São violências que muitas vezes nem o homem, nem a mulher, nem o jovem, nem o adolescente acham que é violência. E isso tudo vai culminar nos casos absurdos, na quantidade enorme de casos que recebemos na Secretaria da Mulher. Pretendemos, aliados ao Grupo Man e toda rede de apoio de Rio Preto, promover ações preventivas em diferentes espaços, hospitais, escolas, empresas privadas ou na Prefeitura”, finaliza.

Patrulha Maria da Penha
Além da Secretaria da Mulher, o mapeamento também pode auxiliar outras políticas públicas de forma intersetorial como Segurança Pública, Saúde, Educação, Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, entre outras. A Segurança Pública e o trabalho da Guarda Civil Municipal (GCM) estão diretamente ligados ao registro e enfrentamento ao problema e as políticas já desenvolvidas no município têm trazido destaque e pode avançar ainda mais.
Nenhuma mulher atendida pela Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal sofreu feminicídio em São José do Rio Preto desde que o projeto foi iniciado em 9 de março de 2020. Mais de 7,5 mil cidadãs atendidas por esta política públicas seguem vivas e protegidas.
O resultado expressa a efetividade das ações desenvolvidas pela rede de apoio às vítimas de violência doméstica no município, tendo sido reconhecido pelo Prêmio Paulista de Qualidade em Gestão, na categoria Inovação. Com o mapeamento das ocorrências e todas as informações de perfil de cada caso, vão convergir para a expansão dessa rede de proteção e apoio.
Proteção à mulher em tópicos
Políticas públicas baseada em dados, integração e prevenção
A Prefeitura de São José do Rio Preto vem estruturando uma política pública sólida, contínua e integrada de enfrentamento à violência contra a mulher, com ações que vão da prevenção e inteligência de dados à proteção direta e acolhimento humanizado das vítimas.
O avanço mais recente dessa estratégia é o desenvolvimento de um sistema municipal de mapeamento da violência contra a mulher, elaborado pela Empro Tecnologia e Informação, em parceria com a Universidade de São Paulo, a partir de dados oficiais do Infocrim. A iniciativa representa uma mudança de paradigma: sair da lógica exclusivamente reativa para antecipar o fenômeno da violência.
• 📊 Mapeamento inédito da violência transforma boletins de ocorrência em inteligência para políticas públicas.
• 🛡️ Zero feminicídios entre mulheres assistidas pela Patrulha Maria da Penha desde 2020.
• 🚓 Atuação permanente da Guarda Civil Municipal, com prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.
• 📱 Tecnologia de proteção imediata, com o aplicativo Botão Mulher Segura.
• 🏠 Rede estruturada de acolhimento e atendimento humanizado, com CRAMs, Casa Abrigo e ações educativas.
• 🏆 Reconhecimento estadual por inovação e excelência na gestão pública.

Inteligência de dados – monitoramento e classificação
Objetivo: transformar registros em ação pública
O sistema organiza e analisa boletins de ocorrência registrados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, permitindo identificar padrões, horários críticos e regiões com maior incidência de violência doméstica.
📊 Violência doméstica em números – 2025
• 2.759 registros no ano
• Média de 8 casos por dia
• Predominância da violência dentro da residência das vítimas
• Maior incidência aos fins de semana e no período noturno
Segundo a Empro, o painel interativo (dashboard) permite cruzamento dinâmico de dados, imagens e gráficos, oferecendo suporte técnico para decisões estratégicas e formulação de políticas públicas mais eficazes.
Quando e onde acontece – leitura dos dados
⏰ Períodos críticos
• Noite: 25,1%
• Tarde: 17,9%
• Manhã: 14,2%
• Madrugada: 9,4%
• Sem informação: 33,5%
📍 Distribuição territorial
• Zona Rural: 20,8%
• Bela Vista: 3,27%
• Solo Sagrado I: 1,9%
• Nova Esperança: 1,83%
• Eldorado: 1,61%
• Solo Sagrado: 1,33%
• Eldorado II: 1,31%
• Jardim Maria Lúcia: 1,31%
• Centro: 1%
• Outros bairros: 65,64%
• Fonte: Infocrim (1º/1/2025 a 31/12/2025)
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📌Os dados possibilitam políticas públicas territorializadas e orientadas por faixa horária, com ações preventivas concentradas nos períodos e regiões mais vulneráveis.
Integração intersecretarial: agir antes da violência
O projeto de mapeamento amplia a estratégia já adotada pelo município e avança para a integração com outras secretarias, como Saúde e Secretaria da Mulher. O objetivo é estruturar ações preventivas antes da ocorrência da violência, com:
• políticas educativas;
• orientação às vítimas;
• reforço de serviços públicos em áreas críticas.
A Secretaria da Mulher destaca que o município passou a contar, a partir da atual gestão, com um sistema informatizado e estruturado, substituindo registros manuais e fragmentados, o que ampliou significativamente a capacidade de planejamento e resposta.
Políticas públicas no Combate à Violência contra a Mulher em Rio Preto:
Patrulha Maria da Penha: enfrentamento à violência doméstica, atuando diretamente com mulheres que possuem medida protetiva concedida pelo Judiciário.

🛡️ Resultados acumulados (2020–2025)
• Zero feminicídios entre mulheres assistidas
• 7.566 mulheres atendidas
• 535 agressores presos em flagrante por descumprimento de medida protetiva
• 19.728 visitas preventivas realizadas
📊 Dados de 2025
• 1.710 mulheres atendidas
• 3.118 visitas preventivas
• 114 prisões em flagrante
Atualmente, 10 guardas civis municipais atuam exclusivamente nas visitas da Patrulha, com apoio integral de toda a corporação em situações de emergência.
Tecnologia como aliada: Botão Mulher Segura
O aplicativo Botão Mulher Segura fortalece a proteção imediata às vítimas:
• acionamento com um único botão “Socorro”;
• envio automático da localização da vítima;
• possibilidade de videochamada;
• despacho imediato de viaturas.
A ferramenta atua de forma integrada com a Patrulha Maria da Penha e garante resposta rápida e prisão imediata do agressor em casos de descumprimento de medidas protetivas.
Atendimento humanizado e rede de acolhimento
A Secretaria da Mulher, Pessoa com Deficiência e Igualdade Racial coordena uma rede ampla de proteção social, com atuação contínua e especializada.
📌 Atendimentos – janeiro a novembro de 2025
• 22.390 atendimentos totais
• Mais de 13 mil atendimentos realizados pelo CRAM
• 92 pessoas acolhidas na Casa Abrigo (mulheres e dependentes)
Grupos, oficinas e acompanhamento contínuo
📊 Atividades coletivas – jan a nov/2025
Departamento Grupos/Oficinas Presenças
CRAM (Mulher) 54 1.489
Casa Abrigo – mulheres 240 360
Casa Abrigo – dependentes 248 490
Pessoa com Deficiência 41 743
Igualdade Racial 36 636
Total 619 3.718
📌 A alta frequência de atividades na Casa Abrigo decorre do funcionamento ininterrupto (24 horas), com ações diárias voltadas à ressocialização, fortalecimento emocional e reconstrução da autonomia.
Reconhecimento e excelência em gestão pública
A política municipal foi reconhecida pelo Prêmio Paulista de Qualidade em Gestão, com destaque para:
• Mérito de Inovação em Gestão – Patrulha Maria da Penha;
• Modelo em Excelência da Gestão – práticas administrativas e operacionais da GCM.
O reconhecimento valida a efetividade de uma política pública baseada em gestão qualificada, integração institucional e compromisso com a vida das mulheres.
Resultados
O conjunto de ações implementadas pela Prefeitura de São José do Rio Preto demonstra que o enfrentamento à violência contra a mulher exige dados confiáveis, atuação integrada, tecnologia, prevenção e cuidado contínuo.
Os resultados alcançados — especialmente o zero feminicídios entre mulheres assistidas — evidenciam a robustez de uma política pública que não apenas responde à violência, mas atua para preveni-la, consolidando o município como referência em proteção, dignidade e garantia de direitos.
Colaboração: Bianca Zaniratto, Marcella Moreira, Roger Assis
https://www.riopreto.sp.gov.br/noticias/tecnologia-e-integracao-ampliam-combate-a-crimes
